O problema aparece na soma. Valores modestos, cobrados todos os meses, viram um número respeitável no fim do ano, e o mais incômodo é que uma parte considerável desse número corresponde a serviços que ninguém usa. Existe uma diferença enorme entre decidir pagar por algo e continuar pagando por inércia, e a maioria das assinaturas esquecidas está na segunda categoria.
A faxina começa com um levantamento honesto, e o melhor lugar para fazê-lo não é a memória, é a fatura. Abra as faturas dos últimos dois meses do cartão e o extrato da conta e marque toda cobrança que se repete. Confira também as assinaturas contratadas dentro das lojas de aplicativos do celular, porque elas costumam ficar em um menu escondido e são as campeãs de cobrança fantasma. Anote tudo numa lista, com nome e valor.
Agora vem a parte que dá o resultado. Ao lado de cada item, escreva quando você usou aquilo pela última vez. Não quanto você gosta, não quanto pretende usar, apenas a data real do último uso. Essa pergunta é implacável de um jeito saudável, porque ela separa o que faz parte da sua vida do que faz parte apenas do seu extrato. Depois, some os valores dos itens que você não usa há mais de dois meses e multiplique por doze. Esse é o custo anual do esquecimento.
Cancele pelo menos um. Não precisa ser um corte radical nem transformar a faxina em penitência, porque assinatura que você usa e que te dá prazer merece continuar no orçamento sem culpa nenhuma. A meta é eliminar o que não entrega nada. E antes de cancelar, verifique duas coisas: se existe fidelidade ou multa e se o plano anual sai mais barato que o mensal naquilo que você realmente usa. Em serviços que a família toda usa, o plano compartilhado costuma resolver melhor do que assinaturas individuais espalhadas.
Um cuidado que evita repetir a história: sempre que assinar um teste gratuito, marque no calendário do celular a data em que ele passa a ser cobrado, com um lembrete dois dias antes. É a única forma de o período de teste continuar sendo um teste, e não uma porta de entrada permanente.
O melhor da faxina não é o corte, é o destino do que sobrou. Aquele valor que você acabou de liberar já está fora do seu padrão de consumo, então ele não vai fazer falta. Programe uma transferência automática do mesmo valor, no mesmo dia do mês, para a sua reserva de emergência ou para uma contribuição extraordinária ao seu plano de previdência complementar fechada. Você troca um gasto que não usava por um patrimônio que vai usar.
Reserve vinte minutos hoje e faça a primeira etapa. Some quanto você paga por mês em assinaturas, escreva o total num papel e cancele pelo menos uma. É provável que o número que você encontrar seja maior do que você imaginava, e é justamente por isso que ele merece ser olhado.