Patrimônio líquido pessoal: a conta de quinze minutos que mostra onde você está

Renda e patrimônio respondem a perguntas diferentes. A renda mostra quanto entra em determinado período. O patrimônio líquido mostra o que foi construído depois de considerar também as dívidas. Uma pessoa pode ter salário alto e patrimônio negativo. Outra pode ter renda menor e uma base financeira mais estável. Sem fazer a conta, as duas situações podem parecer iguais.

O cálculo começa pelos ativos. Liste saldos em conta, reserva de emergência, investimentos, imóveis, veículos e outros bens com valor relevante. Inclua também o saldo do plano de previdência complementar fechada. Ele faz parte do seu patrimônio, mesmo que tenha finalidade previdenciária e regras próprias de acesso.

Use valores realistas. Para um imóvel ou veículo, prefira uma estimativa conservadora de venda, não o preço afetivo nem o valor do anúncio mais otimista. Para o plano, copie o saldo informado no extrato, sem confundi-lo com uma projeção de benefício futuro.

Depois, liste os passivos. Entre eles estão o saldo devedor do financiamento, empréstimos, parcelamentos e faturas que ainda serão pagas. O patrimônio líquido é a soma dos ativos menos a soma das dívidas. Se o resultado for negativo, ele não é um diagnóstico sobre a pessoa. É apenas um retrato financeiro de uma data.

O número isolado importa menos que a direção. Quem financiou uma casa pode ter um passivo grande, mas vê a dívida cair e a parcela quitada do bem crescer com o tempo. Quem usa crédito caro para manter o cotidiano pode perceber o movimento oposto. Repetir a conta a cada seis meses ajuda a enxergar essa trajetória.

Evite somar bens de uso pessoal sem valor relevante de revenda apenas para melhorar o resultado. Móveis, roupas e eletrônicos geralmente não produzem o valor que custaram. A conta deve ser simples o bastante para ser refeita e honesta o bastante para orientar decisões.

Faça o cálculo hoje e anote a data. Em março, repita com os mesmos critérios. O objetivo não é competir com ninguém. É saber se suas escolhas estão aumentando ou reduzindo a base que sustenta seus planos.